quinta-feira, 3 de outubro de 2013

17º dia - Sobre resiliência

Há uns três ou quatro meses atrás recebi um link sobre uma pesquisa com mães de crianças com autismo. Era de uma psicóloga e serviria para a dissertação dela. Imediatamente quis ajudar. Sei o quanto é difícil coletar esses dados. Todo mundo gosta de ler os resultados das mais diversas pesquisas em revistas e sites, mas na hora de ser entrevistado e ajudar o mundo científico mesmo, ninguém tem tempo, paciência ou vontade.
Pois bem, cliquei no link e comecei. O tema era “Resiliência em mães com filhos com Transtorno do Espectro do Autismo”.
Resiliência?! Eu desconhecia o termo, mas tinha pressa em concluir a pesquisa. Resolvi procurar o significado depois.
Mas se a palavra soava desconhecida pra mim, as afirmativas que se seguiram (e que eu tinha que mensurar) me tocaram profundamente. Coisas do tipo “quando eu faço planos, eu levo eles até o fim”, “manter interesse nas coisas é importante pra mim”, ou “eu sou determinado”, etc.

À medida que avaliava os itens, eu ficava mais e mais arrasada.
A verdade é que a minha capacidade de lidar com problemas e superar obstáculos foi profundamente abalada após o diagnóstico da Alice.
Toda minha determinação foi perdida, não só pra dieta, mas também pra estudo, trabalho, etc. Não consigo concluir meus projetos, nenhum dos sonhos da minha juventude foi realizado, não consigo manter interesse nas coisas por muito tempo, minha autoestima praticamente inexiste... Só pra se ter uma ideia, nem a droga da pesquisa eu enviei pra psicóloga...
Porém, hoje acredito estar dando os primeiros passos rumo a um futuro melhor. Minha Alice precisa de mim e dos meus cuidados e eu preciso de saúde para proporcionar isso a ela.
Fé que tudo vai melhorar. Sempre.

2 comentários:

Amanda disse...

Olá, Muriel!

Obrigada por sua visita a meu blog. Também já estou te seguindo. Somos a primeira seguidora uma da outra. kkkkkk

Olha, li seus posts sobre como o diagnóstico da sua filha alterou toda a sua vida. Não se penitencie tanto. Você se adaptou da forma que foi possível, mesmo com consequências negativas. Quando a situação exige ação, não dá pra escolher o que fazer.

Eu também já passei por coisas terríveis na minha vida (você deve ter notado que nem quis falar sobre elas no blog), e isso me tirou completamente do prumo. Só pra você ter uma ideia, em menos de dez anos perdi sete pessoas da minha família imediata, todas com doenças terríveis. Além disso, fui traída profissionalmente duas vezes (por sócios) e agora, às vésperas de completar 40 anos (no ano que vem), estou completamente sem rumo e tendo que buscar forças não sei onde para tentar recomeçar (mas sem saber por onde). Depois, se você quiser, te conto tudo por e-mail. Às vezes ouvir outras histórias no fortalece, nos faz ver que é possível sobreviver a coisas terríveis.

O que importa agora é que não quero pensar no passado. Preciso olhar para o futuro e reconstruir minha vida. Para isso, quero cuidar de tudo ao mesmo tempo: da vida profissional e da saúde. Emagrecer é imprescindível. Por isso criei o blog, para ter um compromisso comigo mesma.

Estamos juntas nesse barco. Se precisar conversar ou apenas desabafar, pode contar comigo.

Beijo!

Muriel Nery disse...

Nossa, Amanda, obrigada pela resposta de estímulo e motivação. Todo mundo tem sua história (e a sua parece ser bem triste), mas cabe a cada um decidir o que fazer com ela.
Nós vamos conseguir!!!
Abraços